segunda-feira, 11 de abril de 2011

Djavan




Discreto, simpático, autodidata e sereno. Adjetivos não faltam para descrever o convidado do mês de abril da Academia de Ideias em parceria com a Revista Bravo: Djavan Caetano Viana, ou simplesmente, Djavan.

A voz de Djavan já inspira musicalidade e suas composições, repletas de cores do dia-a-dia e elementos metafóricos marcam e marcarão para sempre a história da MPB.
Músico desde aos três anos de idade, Djavan fala com orgulho da forte influência de sua mãe que cantava em um coral no estado de Alagoas.

Sempre estudando e aperfeiçoando o dom de músico, aos 23 anos, Djavan arrisca a sorte no Rio de Janeiro como crooner. Nesta época Djavan ainda não era conhecido do grande público. Mas um telefonema de quem entende do assunto, Chico Buarque, fez toda a diferença em sua carreira. Djavan descreve com humor o que pensou, ou melhor, o que tinha a certeza: “Era trote, apesar da voz ser mesmo de Buarque”. Depois disso, uma grande parceria foi formada.

A música “ Meu bem Querer” foi a que revelou para o grande público e foi tema de novelas da TV Globo, como Coração Alado.

Responsável pela trilha sonora de várias novelas e de muitas pessoas que se identificam com suas músicas, Djavan diz que nunca seguiu modismos ou tendências. “Sempre obedeci ao meu coração e a minha cabeça. Eu trabalho visando diversão. Eu quero ser feliz com minha música”, afirma o cantor. Prova de sua independência foi a abertura de uma gravadora própria.

Outro assunto que entrou na pauta da Academia de Ideias foi como Política e Música se entrelaçam. Segundo o cantor, o artista pode por meio da música, se expressar melhor e direcionar caminhos. A Música Imposto retrata a visão de Djavan: “Pra quem vai tanto dinheiro?Vai pro homem que recolhe o imposto/ Pois o homem que recolhe o imposto./É o impostor”.

Djavan afirma também que o Ministério da Cultura só conseguiu visibilidade quando Gilberto Gil foi ministro. Foi polêmico ao dizer que música e cinema, embora precisem de subsídios, não deveriam ser a prioridade do Ministério, uma vez que o governo deveria priorizar o povo; uma maneira mais organizada e concreta de se ter acesso à arte.

Politizado e um dos maiores representantes da MPB, Djavan é sucinto ao dizer que “o Brasil é um caldeirão de cultura”, devido à sua diversidade, dinâmica e por cada região ter sua especificidade.

Depois de uma sólida e respeitada carreira, Djavan afirma: “ Eu tenho foco e não desisto nunca”.